17 de nov de 2010

Poesia do Elton Saldanha para a AGC

Esta é a poesia que o Elton fez para o leilão da Santa Casa(série especial Cássio Selaimen) e modificou para a AGC

Amigos de Aço
Elton Benício Escobar Saldanha                                                 Novembro-2010



Os Tauras são como facas
E assim escrevem a sua história
Ao desquinar a memória
Nas lascas de uma lembrança
Ajuntando a vizinhança
Na faina do dia-a-dia
No chairar dessa porfia
Entre o labor e o perigo
Sempre nos sobra um amigo
Pra templar uma alegria

È um feitiço de aço novo
Mas ay que lhe dar um tempo
Pois nele vive elementos
Que amadurecem na lida
Uma folha carcomida
Tem seus cuentos e seus ditos
A tradição e seus ritos
Os valores de coragem
A velha camaradagem
Na lamina tem seus escritos

Foram horas de martelo
Suor, fagulha, labor,
Limalha, templa, suor,
Do bruto verter o belo
Desde o plebeu ao castelo
Da faísca a ourivesaria
A arte com maestria
Num instrumento de luxo
Que faz mais nobre o gaúcho
Na lida do dia-a-dia

Um cutijo que não se faz
Pra peleia ou pra quizília
Essa é a parte da família
Ficou velha na cintura
Sua delgada figura
Tem distinção e respeito
É com ela que me afeito
E desculpe se eu disser
Deixaria uma mulher
Cravar ela no meu peito

Ali onde o sonho se faz
Num forno em têmpera seleta
Andam vozes de profetas
Sonhos, iras, pesadelos,
Com o carimbo de um selo
Pois o mestre tem o dom
Onde o artista da o tom
Numa língua de chimango
Num contrapasso de tango
Com ares de bandoneon

E da madeira de um tronco
Tange-se as notas da lira
Um cerne de guajuvira
Caído num corredor
Traz um perfume de flor
Repisado pelos cascos
Empunhadura do aço
Onde verte a pulsação
Dos veios do coração
Pelo serno do meu braço

A guilda é um ninho de arte
Os sábios ao redor da forja
Um mistério de caborja
Dos mestres em desafios
Cada alma tem um fio
Uma tempera, uma verdade
Os Deuses doam sua imagem
Os seus mistérios antigos
Aqui se forjam amigos
No aço das amizades.

Minha faca é uma jóia rara
Brilha um destino em seu corte
Não é pra peleia ou morte
É de paz sua cultura
É afeição, é ternura
É pras vaidades da lida
Minha amada prometida
Compermisso meu amigo
Esta há de ficar comigo
Pro resto da minha vida.